quinta-feira, 9 de abril de 2020

Fazer viver e não deixar morrer: por uma comunidade planetária

O neoliberalismo continua manejando cruelmente a vida e a morte. Garante que alguns vivam e deixa que outros morram. A pandemia tem classe e tem cor. Debora Diniz e Giselle Carino mostram, no artigo "É hora de olhar a pandemia a partir do nosso lugar", as faces sociais, econômicas, etárias da morte por Covid-19: "Os corpos velhos em maior risco de letalidade pela doença têm sexo, cor e classe. Serão os corpos mais vulneráveis ao racismo, pobreza e sexismo que morrerão" (https://bit.ly/2UUUgex).

Contudo, há uma ideologia cruel que, em parte, a pandemia não respeita. Para ela, não existe nacionalidade. A Covid-19 ataca os humanos, não as nações. "O vírus demonstra que a comunidade humana é igualmente precária", afirma Judith Buttler (https://bit.ly/2UWuTt4).

Estamos diante de uma encruzilhada: ou realizamos uma cooperação global jamais vista, sem ranços nacionalistas, ou pereceremos todos. Nenhum país vencerá sozinho.

Teremos que, pela via da dor, desenvolver a consciência de que somos uma aldeia global, uma família. Até aqui vínhamos usando a globalização apenas como um instrumento perverso de divisão internacional da riqueza, da pobreza e do trabalho.

Não dá mais para seguir nessa linha. Agora temos que realmente pensar no planeta como a nossa casa. Vivemos todos ou perecemos todos! "Sabemos que a pandemia não é cega e tem alvos privilegiados, mas mesmo assim cria-se com ela uma consciência de comunhão planetária, de algum modo democrática", defende Boaventura de Sousa Santos (https://bit.ly/34o9ITR).

Ninguém mais pode ser ignorado. "Ninguém pode ficar para trás", como diz Ilona Szabó de Carvalho, na Folha de S. Paulo (https://bit.ly/2Vd0B46).

Junto com o coronavírus, estão se a alastrando descontroladamente uma série de vírus ideológicos (fake news, teorias conspiratórias, xenofobia etc.). Mas, como enfatiza Slavoj Žižek, "é possível que outro vírus ideológico, este muito mais benigno, também deva se alastrar e, com sorte, infectar a todos nós: o vírus de começarmos a pensar em possibilidades alternativas de sociedade, possibilidades para além do Estado-nação, e que se atualizam nas formas de cooperação e solidariedade globais" (https://bit.ly/2USlGBV).


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