terça-feira, 9 de abril de 2019

A leitura é uma atividade política


A escola básica brasileira tem encontrado muita dificuldade em ensinar os jovens a ler e interpretar. Os resultados dos exames nacionais e internacionais vem mostrando reiteradamente essa dificuldade.

É importante dizer que ler e interpretar são atividades inerentemente políticas. Ou seja, só uma escola que se vê como uma agência social e política consegue ensinar os alunos a ler e interpretar. 

Obviamente, perceber a escola como uma agência política não é uma tarefa tão simples. Requer certo grau de formação e politização. Só pessoas que receberam uma formação filosófica abrangente são capazes de entender que a escola faz política a todo momento e que ler um texto requer uma posição política diante do mundo.

O inominável, que está ocupando a presidência da República, é um sujeito inepto e oportunista. Ele está usando sua incapacidade de compreender e fazer política como uma plataforma política. Ou seja, ele está fazendo uma combinação perfeita de estultice e oportunismo.

Ele disse hoje: “Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política” (https://bit.ly/2UFWLlR). Uma afirmação como essa, sob todos os aspectos, é uma insanidade, uma estupidez, uma afronta à sociedade.

Estamos convivendo com a mediocridade elevada à condição de projeto.

Mesmo sem adotar explicitamente um posicionamento antipolítica, nossa escola básica já enfrenta uma enorme dificuldade em ensinar a leitura. Imagine o que acontecerá quando a antipolítica for transformada numa política de governo!

A afirmação do presidente nos mostra a necessidade urgente de construirmos uma ampla rede de resistência política para salvarmos o MEC, a Educação Básica e a Universidade.

Sem resistência política, a mediocridade e a barbárie continuarão vencendo. Se a proposta do governo vencer, nossa escola básica deixará de ser escola antes mesmo de ter conseguido ser uma escola. 

Não custa dizer novamente: Uma escola só é uma escola de verdade quando faz política.


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