quarta-feira, 27 de junho de 2018

O vira-latismo de nossa imprensa


Às vezes é difícil suportar setores de nossa imprensa esportiva, babaca e vira-lata. Vive colocando a Alemanha como modelo de gestão e planejamento, além de superestimar, e muito, o desempenho do técnico Joaquim Low. 

O 7x1 virou uma espécie de mantra pró Alemanha e um símbolo de demonização total do futebol brasileiro. De 2014 para cá a imprensa repetiu ad nauseam que o Brasil tinha que seguir o exemplo da Alemanha.

Hoje a casa caiu. 

Está fora de questão defender a gestão do futebol brasileiro. A CBF é a mesa da repartição do roubo, a bandidagem com escritório e gravata. Aquilo é uma desgraça colossal. Vive às custas das propinas que recebe e que paga. As Federações estaduais são iguais ou piores.

Mas o fato é que não há santo no universo do futebol. Em que medida a FIFA é melhor que a CONMEBOL? Em que medida a FIFA é melhor que a CBF? Não existe santo num negócio de bilhões, cujas regras para associação exigem dos seus filiados que não recorram a nenhuma tipo de interferência do Estado e da justiça comum.

Não estou dizendo que proibir a interferência do Estado seja uma coisa necessariamente ruim. Essa, na verdade, é uma questão ambígua. O fato é que a FIFA estabelece, gere e fiscaliza a si mesma. Só alguém ingênuo poderia esperar uma FIFA limpa. O que manda ali é a grana e pronto. Idem UEFA, idem CONMEBOL, idem CBF...

O que me irrita muito em ralação à imprensa brasileira é que, esquecendo o lado sujo da FIFA e das outras confederações e federações, usa recorrentemente o lado sujo da CBF pra mistificar as seleções europeias, tratando-as como times fortes, imbatíveis, organizados. Fala sério!

O que o futebol revela, com clareza matemática, é que os grandes times enfrentam constantemente problemas e oscilações. Nas últimas 6 copas (de  1998 para cá), exceto em  2006, houve time grande eliminado na primeira fase.

Vejamos os "vexames". Em 1998, a Espanha ficou fora. Embora ainda não fosse uma campeã, sempre foi tratada como time grande. Aumenta o "vexame" o fato de a Espanha estar num grupo que tinha Nigéria, Bulgária e Paraguai. Em 2002, foi a vez da França, Argentina e Uruguai. Em 2010, foi a Itália. Em 2014, foram a Inglaterra, Itália e Espanha.

Agora em 2018, é a vez da Holanda e Itália (que nem se classificaram) e da Alemanha. Não há nada de anormal ou catastrófico nisso. É apenas o futebol seguindo seu curso.

Essas oscilações fazem parte do futebol de seleções, especialmente pelo fato de que o intervalo entre uma copa e outra é relativamente longo. Dificilmente uma seleção consegue se manter estável no topo por 4, 8 ou 12 anos. As renovações são constantes.

Aliás, olhando o histórico das copas, vemos exatamente o contrário do que essa imprensa vira-lata diz. O time que historicamente conseguiu se manter estável no topo por mais tempo é exatamente a seleção brasileira, e por duas vezes. De 1958 a 1970, em 4 copas, foram três finais e três títulos. Não podemos nos esquececer da copa de 1966. Foi a única vez que o Brasil foi eliminado na primeira fase. Esse caso mostra exatamente a possibilidade de oscilação. A outra vez que o Brasil teve um longo período de domínio foi de 1994 a 2002, em que chegou a três finais e ganhou dois títulos.

Que outro time conseguiu fazer isso? O país a chegar mais perto foi a Alemanha, que também chegou a três finais seguidas (em 1982, 1986 e 1990) e ganhou uma.

Eu realmente não suporto essa vira-latisse da nossa imprensa. É horrível ter que aguentar isso.

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