domingo, 29 de julho de 2012

O texto é a pessoa: tuítes sobre a textualização do sujeito



























































Sostenes Lima
@Limasostenes

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quero viver assim...


Atravessar dias
Ter uma data (20/07) como referência para contabilizar os encantos e desencantos de viver
Fazer da vida uma jornada de pontes diárias
Cruzar a ponte de cada dia, isto é, não deixar nada de ontem para ser feito hoje
Me desprender do lado que ficou para trás
Abandonar as coisas e afazeres desnecessários
Perder pessoas apenas temporariamente
Me afastar de pessoas, quase sempre, por motivo involuntário
Só me despedir  para sempre de pessoas que se encantaram
Renunciar projetos irrealizáveis, complicados e complicadores
Me descolar de intrigas e futricas existenciais
Me livrar de bagagens que jamais deveriam ter estado comigo
Chegar ao outro lado da ponte a cada dia
Saudar a novidade que se apresenta a mim a cada raiar do sol
Aceitar que, do outro lado da ponte diária, tudo é novo, mesmo as pessoas e coisas que atravessaram comigo
Celebrar a transformação e seguir em frente, em vez de lamentar e querer voltar a um tempo e a um lugar que não existem mais
Aceitar novos desafios e novos projetos, sem abandonar aqueles que fazem minha vida valer a pena
Me encantar com as pessoas que, caminhando comigo diariamente, se tornam novas a cada amanhecer
Me deixar surpreender com a pessoa que é uma unidade comigo
Amar mais as pessoas que atravessam as pontes diárias comigo continuamente, sem falhar um dia sequer
Construir uma família nova a cada dia, muito mais sólida e afetuosa
Manter parcerias de amizade de longa data
Encontrar novas pessoas e fazer novas parcerias de amizade e de vida
Viver Deus de um modo espontâneo, sem religiosidade e sem forçação espiritual
Orar sem dizer uma única palavra
Viver a vida sem se preocupar muito com a busca da felicidade
Viver e morrer a cada dia
Ser triste quando a alegria se desgasta
Ser feliz quando a tristeza arreda o pé
Ser pleno, contraditório, recortado, limitado
Desejar a vida sem subestimar e negar a morte.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Escrever é um ato de coragem: tuítes sobre a escrita

































sábado, 14 de julho de 2012

Os blogs e a emancipação dos leitores/autores[1]


Os blogs são mesmo um caminho sem volta, tanto para o mundo da indústria da informação quanto para quem consome e reindustrializa seus produtos: os leitores/autores.

O universo jornalístico e publicitário já está notando que os blogs não são rivais; são aliados importantes que vão lhe garantir permanência no mercado. Os blogs despontam como uma espécie de loja de varejo de informação, formação e entretenimento, enquanto portais, jornais e revistas vêm se especializando no trabalho de indústria e fornecimento por atacado. Hoje, já é provável que o internauta acesse uma matéria de revista (Superinteressante, por exemplo) primeiramente via blog. São poucos os ciberleitores que vão primeiro ao site da revista. Depois de lida a matéria no blog, talvez o leitor até se dirija ao site de origem, via link, para ver se algo mais lhes interessa.

Os leitores/autores também vêm notando que os blogs são sua única saída para fazer valer seu direito de ampla expressão. Há nas mídias tradicionais uma forte restrição à fala do leitor. Ouvir rádio, ver televisão, assistir a um filme, ler um livro, ler jornal, ler revista etc. são atividades que impõem ao interlocutor uma condição de dominação e assujeitamento. O modo de operação dessas mídias praticamente força o leitor a se calar. Se alguém quiser realmente fazer seu texto circular nesse mercado extremamente corporativo, terá de superar uma série de entraves culturais, técnicos, econômicos etc. As mídias unidirecionais incentivaram bastante a prática da leitura, é verdade. Mas, por limitações técnicas, deixaram os leitores sem condições de responder, dialogar. E eles, notando que essas mídias estão lhes interditando um direito fundamental – o de exprimir seu mundo, seu locus sociocultural – não mais se resignam com isso.

A migração dos jornais e revistas para internet forneceu recursos mais acessíveis para o leitor dizer o que pensa. As caixas de texto, destinadas ao comentário, têm sido um instrumento importante para os leitores dialogarem tanto com o jornal/revista quanto com outros leitores. Através desse recurso eles podem dizer que a cobertura de um evento foi superficial, que uma notícia ou reportagem está mal elaborada etc. Contudo, somente leitores menos experientes se satisfazem com apenas essa possibilidade. Leitores mais experimentados, e com demanda de escrita, não se contentam em simplesmente postar um comentário, em fazer adendos a textos alheios. Eles querem escrever seus próprios textos e se tornarem leitores/autores emancipados.

Os blogs são uma invenção extraordinária. Finalmente, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) criaram uma mídia centrada nos interlocutores, dando-lhes poder para enfrentar a força dos grandes impérios da informação (ou seria desinformação?). As redes sociais também são uma boa invenção, mas com certas limitações, que impedem o aprofundamento do texto. Leitores/autores, que manejam bem a escrita, não se contentam em apenas postar um pequeno texto no Facebook ou Twitter. Eles querem escrever ou reproduzir um texto mais denso, que consiga aprofundar a representação e interpretação que têm de sua realidade social.

A blogosfera está em alta e vem se despontando como um ambiente profissional, informativo e formativo bastante promissor. Os blogs, ao lado de outras mídias interativas, podem se transformar numa importante agência social de informação e formação, e assim contribuir para a construção de um leitor-cidadão, que seja capaz de interpretar a realidade de forma mais autônoma e crítica. O acesso a uma matriz de informação e opinião alternativa, com pouca ligação com os grandes centros do poder, dá condições para que o cidadão-leitor enxergue melhor certos compromissos ideológicos que dão sustentação à indústria da informação oficial e hegemônica.


Docente na Universidade Estadual de Goiás (UEG). Doutor em Linguística (UnB) e pesquisador na área de Gêneros Textuais e Mídias.
____________________
Texto publicado em: https://impresso.dm.com.br/edicao/20131219/pagina/29#

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Poética do silêncio em tuítes