domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tributo a Fernando Pessoa

Escrever é preciso; viver não é preciso.
Vivo enquanto escrevo, mas não vivo enquanto vivo.
O meu texto se fortalece enquanto escrevo
O meu texto se definha enquanto apenas vivo.
Escrever é viver; viver não é viver sem escrever.

Sostenes Lima
@Limasostenes

O nonsense do texto

Estou querendo muito pensar e escrever sobre o texto, mas não estou encontrando âncoras verbais para isso. Eu simplesmente não estou conseguindo pensar em nenhuma definição ou especulação para o sentido do texto. Será que o texto tem de ter sentido? Talvez esse seja um caminho interessante a ser explorado: o no sense do texto. Texto é algo vazio de sentido. Cheguei a uma definição e estou contente com ela. Achei interessante essa formulação. O texto não tem de ter sentido. O texto é uma construção complexa, cheia de junções e nós, sem uma trajetória definida, precisa. O texto é um conjunto, uma aglomeração de experiências que vão se formando, sem que haja um propósito definido, pré-existente, planejado ou calculado. O texto simplesmente se escreve a si mesmo enquanto se torna texto. Não há um texto anterior dirigindo a construção do texto. O texto não tem controle sobre si. O texto também não se entrega o controle externo. Ele simplesmente se escreve num aparente caos. Digo aparente caos porque parece que o texto está todo desordenado, sem nexo, sem a menor organização. Mas isso não é verdade. O texto se compreende a si mesmo enquanto se escreve. Há harmonia no caos. Há um ponto de equilíbrio no caos. É isso que permite que os textos sejam diferentes uns dos outros. Se não houvesse nenhum um tipo de organização, mesmo que na estrutura mais profunda, não haveria possibilidade de diferenciação. Também não haveria possibilidade de identificação. É por isso que digo que cada texto, embora construído sob e sobre o caos, é harmônico em si e para si mesmo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O prazer mora no corpo; a alegria, na alma

Não, eu não quero prazer! Eu quero alegria! Era isso o que dizia uma das amantes de Tomás, o médico de A Insustentável Leveza do Ser. E Tomás ficava perdido porque prazer ele sabia dar, é coisa de receita fácil, mora no corpo. Mas alegria é coisa mais sutil, mora na alma, no lugar das fantasias e da saudade.
Há um jeito fácil de saber se o que se sente é prazer ou alegria. Basta prestar atenção no corpo. Se ele for ficando cada vez mais pesado, é prazer. Se for ficando cada vez mais leve, é alegria”.

[Rubem Alves. Teologia do cotidiano. São Paulo: Olho D’agua, 1994]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Carpe diem [por Mario Quintana]

Um dia... pronto!... me acabo.
Pois seja o que tem de ser.
Morrer: que me importa?
O diabo é deixar de viver


[Mario Quintana]