** Produção Acadêmica **


Artigos e ensaios



Resumo: Este trabalho busca discutir sentidos ideológicos potenciais da representação de atores sociais na construção da narrativização identitária no gênero reportagem. Com base na Análise Crítica de Gêneros (ACG) e no modelo teórico-analítico de van Leeuwen (1997), o estudo apresenta uma análise com foco na representação e identificação de atores sociais do campo político. O corpus de investigação é composto por reportagens de março de 2015 das revistas semanais de informação CartaCapitalÉpocaIstoÉ e Veja. Os resultados apontam que os diferentes modos de representação de atores sociais são potenciais na construção da narrativização identitária e na legitimação de posicionamentos político-partidários.

Palavras-chave: Narrativização identitária. Representação de atores sociais. Gênero reportagem.


Resumo: Este trabalho tem como objetivo discutir o uso do blog jornalístico em práticas didáticas de produção textual. Partimos do pressuposto de que a utilização de blogs jornalísticos - vistos aqui como práticas discursivas de resistência -, em substituição e em contraposição às mídias jornalísticas tradicionais (jornal, revista e portais), pode constituir uma estratégia didática privilegiada para se evidenciar o modo como os textos assumem compromissos políticos e ideológicos. Com base na abordagem da Análise Crítica de Gêneros (ACG), elaboramos uma proposta didática, envolvendo os eixos de leitura, produção de textual e oralidade, a partir da qual buscamos apresentar as possibilidades, desafios e contribuições do uso do blog jornalístico nas aulas de língua materna no Ensino Médio.  A proposta didática tem como objetivo a preparação dos alunos para o uso/acesso consciente e crítico das mídias de informação, buscando primordialmente promover o desenvolvimento da produção crítico-autoral e a participação política. Nesse sentido, propomos que o uso do blog jornalístico no cenário escolar tem o potencial de: a) possibilitar a criação de uma rede de interação e colaboração entre alunos, professores e outros públicos; b) incentivar a produção crítico-autoral; e c) promover permitir o debate crítico de questões ideológicas presentes no discurso jornalístico, com ênfase na resistência a efeitos ideológicos construídos nas/pelas mídias tradicionais.

Palavras-chave: Discurso de resistência. Produção discursiva de resistência. Produção textual. Blog jornalístico na escola. 

Resumo: O artigo aborda a poiesis e a temporalidade na velhice. Compreendemos a poiesis a partir da ideia aristotélica de construção de si mesmo possibilitada na escrita. Nos aportes teóricos, utilizamos as concepções de tempo e narrativa de Ricœur, a compreensão psicanalítica freudiana de temporalidade psíquica múltipla, e as contribuições da Gerontologia Social. A experiência temporal, a consciência da finitude e a possibilidade de construção de sentido são bases estruturais da subjetividade e se manifestam nas narrativas de si. Objetivando aprofundar a compreensão da velhice, do tempo e da poiesis, analisamos poemas de Cora Coralina.

Palavras-chave: Velhice. Poiesis. Psicanálise. Temporalidade. Cora Coralina.

Resumo: Neste trabalho, temos como objetivo analisar conexões interdiscursivas e intertextuais na constituição do gênero reportagem e refletir sobre potenciais efeitos na legitimação de discursos e vozes particulares. Apresentamos, num primeiro momento, as concepções teórico-analíticas que fundamentam nossa discussão. Com base na Análise Crítica de Gêneros (ACG) e na Análise de Discurso Crítica (ADC), realizamos a investigação de uma reportagem da revista semanal de informação IstoÉ, com foco em questões políticas e na representação de líderes políticos específicos. A análise mostra que esses recursos são potenciais na legitimação de posicionamentos político-partidários e ideológicos particulares, bem como possuem papel importante na configuração do gênero.
Palavras-chave: Interdiscursividade. Intertextualidade. Gênero reportagem.


Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar os modos de resistência identitária presentes em discursos autobiográficos de sujeitos velhos. Concebemos as práticas de resistência identitária como formas de ação social através das quais padrões identitários hegemônicos são contestados em favor da promoção e valorização de novas formas de identificação. Os discursos de resistência identitária associados à velhice constituem um conjunto de atos discursivos por meio dos quais se contesta o modo como o velho é identificado, tendo a juventude como base identitária. Na esteira da resistência, são construídas para o velho novas formas de identificação e novas formas de estar-no-mundo próprias da velhice. A partir de um embasamento teórico assentado na Análise Crítica do Discurso (ADC) e na Psicanálise, buscamos mostrar nas crônicas autobiográficas de Rachel de Queiroz e Rubem Alves os discursos que constroem uma identificação dissidente para a velhice. Foram selecionadas seis crônicas, nas quais encontramos um discurso de resistência à identificação social da velhice como dócil, assexuada e decrépita. Além do aspecto crítico, os escritores se engajam num discurso que visa à transformação dos modos de identificação do velho, especialmente a identificação que reduz o velho a um indivíduo à espera da morte.

Palavras-chave: Discurso de resistência. Poder. Identidade. Modos de identificação. Velhice.


Resumo: O presente trabalho objetiva investigar, sob a lente da psicanálise, a (re)construção do eu na velhice. A escrita autobiográfica aponta a uma poética e a uma estética do eu enquanto (re)construção de si, e possibilita que o sujeito busque em sua história ferramentas para reinscrever-se no presente. Destaca-se ainda a relação do idoso com o tempo. A percepção da finitude da vida ressalta a sensação de desamparo e angústia. A rememoração pode surgir como forma de lidar com essa angústia. Conclui-se que a poiesis do sujeito possibilitada pela escrita de si pode auxiliá-lo a lidar com o presente e projetar-se no futuro. Isso pode (re)abrir caminhos para uma reconstrução do lugar social e simbólico do velho.

Palavras-chave: Velhice. Psicanálise. Poiesis. Estética. Memória autobiográfica.


Resumo: Este artigo tem como objetivo descrever a trajetória de gramaticalização do onde, apontando os processos de mudança aí implicados. Parte-se do princípio segundo o qual os itens linguísticos, em processo de gramaticalização, sofrem diversas mudanças, envolvendo tanto elementos formais quanto lexicais e semânticos. Na trajetória de gramaticalização do onde, foram encontrados traços de mudança em três níveis: categoria gramatical (recategorização), conteúdo semântico (semantização) e funcionamento discursivo (discursivização).

Palavras-chave: Gramaticalização do onde. Recategorização. Semantização. Discursivização.

LIMA, S. Isso, sim, é uma chancela à ignorância. Uma discussão sobre as concepções de língua e ensino vigentes na mídia. 2011.

Resumo: Faço, neste ensaio, uma crítica às concepções de língua e ensino de língua portuguesa vigentes na grande mídia. Tomo como exemplo a cobertura que dois programas de entrevistas da Globo News (Entre Aspas, com Mônica Waldvogel, e Espaço Aberto, com Alexandre Garcia)  deram à polêmica que se criou em torno do livro didático “Por uma vida melhor” da professora Heloisa Ramos. Segundo a grande mídia, o livro de Heloísa Ramos contém erros e jamais deveria ter sido aprovado pelo MEC. Contudo, uma análise elementar mostra que a obra está ancorada em teorias e pesquisas sociolinguísticas e educacionais.


Resumo: Neste artigo, temos como objetivo analisar a configuração e o papel do sistema de avaliatividade no gênero reportagem. Buscamos, num primeiro momento, fazer uma explicitação da teoria do sistema de avaliatividade, conforme proposta por Martin e White (2005). Em seguida, procedemos à análise de um exemplar do gênero reportagem, a fim de identificar o modo como os sujeitos discursivos: (a) expressam avaliações afetivas, éticas e estéticas (subsistema atitude), (b) engajam-se no discurso (subsistema engajamento) e (c) mitigam ou intensificam suas avaliações (subsistema gradação). Os resultados encontrados na análise da reportagem Prontos para o século XIX, de Monica Weinberg e Camila Pereira, publicada na Revista Veja (Weinberg e Pereira, 2008), dão sinais de que o julgamento, subsistema da atitude, e o entretenimento e a atribuição, sentidos de expansão dialógica, um dos subsistemas do engajamento, constituem elementos retóricos estruturadores do gênero estudado.


Resumo: Este artigo se propõe a analisar a questão das normas sociais e norma linguística, a partir de um suporte teórico multidisciplinar. As normas sociais referem-se ao modo como sociedade/cultura molda e regulariza os comportamentos individuais. Já a norma linguística constitui-se num construto teórico que nos permite analisar o processo da normatização linguística e esclarecer a relação que há entre tradição gramatical e ideologia. Os usos linguísticos de uma dada sociedade são controlados por forças sociais explícitas e implícitas. As forças explícitas operam, sobretudo, nas instâncias públicas e formais, onde se exige um comportamento linguístico mais formal e elaborado; já as forcas implícitas operam num contexto social mais privado e informal. É fato que não existe uma divisão descontínua entre uso público (formal) e uso privado (informal) da língua. Existe na verdade um continuum estilístico que vai do informal ao formal. Os usuários de uma língua se movem ao longo desse continuum, de uma extremidade, onde se encontram as formas linguísticas mais vernaculares – as que são usadas espontaneamente pelos falantes –, à outra extremidade, onde se encontram as formas linguísticas mais elaboradas e conservadoras, de acordo com suas necessidades sociocomunicativas.

Tese de Doutorado

LIMA, S. C. Hipergênero: agrupamento ordenado de gêneros na constituição de um macroenunciado.  Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística , Universidade de Brasília, Brasília, 2013.


Esta tese tem como objetivo apresentar um arcabouço teórico-conceitual com vistas a explicar o modo como se constitui e se organiza, sociorretórica e discursivamente, um hipergênero. Propõe-se que o hipergênero seja visto como um macroenunciado composto por um conjunto de gêneros típicos que se agrupam de modo ordenado e articulado. Para a construção desse arcabouço teórico, revejo os conceitos de mídia, como uma unidade de interação (Bonini, 2011) e de mediação dos gêneros, e o conceito de suporte, como um componente material da mídia no qual se ancoram os gêneros. Esta reflexão teórica se desenvolve a partir de um quadro de confluência disciplinar, composto pela Análise Sociorretórica de Gêneros (ASG), Análise Crítica de Gêneros (ACG) e Análise de Discurso Crítica (ADC). A revista semanal de informação é tomada aqui como objeto de análise, com fim de ilustrar as categorias teóricas propostas. Analisa-se uma amostra de quatro exemplares de revista, sendo um de cada uma das quatro principais revistas semanais de informação brasileiras: CartaCapital, Época, IstoÉ Veja. Na aplicação do arcabouço teórico desenvolvido, propõe-se uma tipologia para a classificação dos gêneros que circulam na revista. Essa tipologia se fundamenta basicamente no papel que os gêneros exercem na organização e funcionamento retórico-discursivo da revista como um macroenunciado.  Tomando-se como base a estrutura teórico-conceitual proposta na tese, foi possível exemplificar que a revista semanal de informação se compõe de um conjunto de gêneros típicos, os quais se agrupam em unidades retóricas internas de extensão, natureza e função variadas. Essas unidades, classificadas como bloco, seção colônia retórica, constroem a unidade textual, hipergenérica e discursiva da revista.

Palavras-chave: Hipergênero. Macroenunciado. Mídia. Suporte de gêneros. Análise Sociorretórica de Gêneros. Análise Crítica de Gêneros. Revista Semanal de Informação.

Dissertação de Mestrado

LIMA, S. C. Impacto do vernáculo sobre o uso de ONDE na escrita monitorada.  Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística , Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

Resumo: A presente pesquisa tem por objetivo investigar o impacto do vernáculo sobre o uso do ONDE na escrita monitorada, mais precisamente detectar quais usos tipicamente vernaculares do ONDE já podem ser encontrados na escrita monitorada. Para tanto, utilizou-se um corpus constituído por 223 textos produzidos por estudantes dos semestres finais do curso de Letras e por professores de língua portuguesa do ensino fundamental e médio da rede pública e privada do Distrito Federal e de Goiás. A pesquisa tem como fundamento a linguística funcional e a sociolinguística variacionista. Utilizou-se, do quadro funcionalista, as teorias da linguística e semântica cognitivas e o paradigma da gramaticalização. A partir dos dados extraídos do corpus foram detectados 8 valores semânticos para o ONDE distribuídos ao longo da escala de abstratização ESPAÇO > TEMPO > TEXTO. No ponto ESPAÇO da escala, encontram-se os valores locativo concreto, locativo abstrato, possessivo e instrumental. No ponto TEMPO, está o valor temporal. No ponto TEXTO, localizam-se os valores fórico textual, operador argumentativo e marcador discursivo. A ocorrência do ONDE com outros valores semânticos que não o de locativo concreto (o único abonado pela tradição gramatical) na escrita monitorada aponta para o seguinte postulado: uma vez constatado que usos linguísticos não prescritos pelas gramáticas normativas ocorrem sistematicamente nas manifestações linguísticas das camadas mais letradas deve se proceder a uma intervenção consciente na prescrição gramatical, efetuando-se a inclusão de tais itens na norma-padrão.

Seguem os links para os meus perfis no Reseachgate e Academia, onde se encontram disponíveis todas a minhas publicações acadêmicas:

https://www.researchgate.net/profile/Sostenes_Lima
https://ueg.academia.edu/SostenesLima





Um comentário:

  1. Prezado Sostenes, gostei muito do site!
    Estive lendo sobre seus "Artigos e ensaios", achei muito interessante, concordo que os dominadores da mídia tratem o assunto da língua falada e escrita do ponto de vista do senso comum, pois massivamente é assim que os seus expectadores veem, porém se a discussão trata da abordagem científica, não cabe em opinião para leigos ou curiosos, pode apenas ser científica, não há que se pensar em audiência.
    Muito bom!

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