terça-feira, 23 de maio de 2017

Os perigos de um Estado policialesco comandado por um judiciário sem noção


A divulgação da conversa de Reinaldo de Azevedo com Andrea Neves (http://bzfd.it/2rRx7IP), por parte da PRG, é um flagrante abuso de poder. Perece retaliação.

Eu sei... Reinaldo Azevedo é um jornalista controverso, oportunista; uma pessoa que não inspira qualquer empatia. Inclusive, fez amplo uso político do grampo irregular de Lula e Dilma realizado por Moro em março de 2016.  (http://bit.ly/2qTZzui; http://abr.ai/2reQdwi).

Portanto, segundo a maioria das pessoas que conheço, Azevedo não merece uma linha em sua defesa, em matéria de grampo abusivo. Mas eu não embarco nessa. Sua privacidade pessoal e sua atividade jornalística não podem, em hipótese alguma, ser violadas.

Se não há evidência de crime no diálogo com Andrea Neves, por que interessa à PRG divulgar o áudio e anexá-lo ao inquérito? A situação parece retaliação pelas críticas que Azevedo vem fazendo à operação Lava Jato.

Não custa lembrar que Azevedo se transformou, recentemente, num crítico feroz  do juiz Sérgio Moro (http://abr.ai/2pH7PQ3). A virada aconteceu especialmente depois que os queridinhos da direita (Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra) começaram a cair na vala que cavaram para enterrar os petistas.

É uma coisa óbvia, mas precisamos repetir: os direitos individuais precisam ser garantidos independentemente das ideias que as pessoas defendem.

Não gosto de Azevedo, não compartilho suas ideias, mas estou pronto a defender seu direito. A violação de sua privacidade afeta a mim, a você, a todos nós. Estamos começando a perceber os perigos de viver num Estado policialesco, comandado por um judiciário que perdeu a noção de seu papel institucional.

Esse judiciário - viciado em poder e em espetáculo midiático - está assumindo vorazmente prerrogativas que não são suas. E isso é absurdamente perigoso.

Se queremos uma reforma social ampla, não é no judiciário que devemos depositar nossas esperanças e ações. O judiciário não é um poder de gestão e planejamento social. É uma instituição com outro papel sociopolítico.

A instituição responsável por conduzir os rumos de uma sociedade é a política, não o judiciário. Se a política está sendo incapaz de fazer as reformas sociais que desejamos, o que devemos fazer é reformar a própria política, em vez de dar carta branca a procuradores, promotores e juízes.

Devemos nos organizar socialmente e ocupar os espaços da política para de lá procedermos às reformas que queremos. Reformemos a política para, então, reformarmos nossa sociedade!

Não caiamos no engodo de uma proposta de reforma social via judiciário. Isso não vai dar certo! Não transformemos procuradores, promotores e juízes em salvadores da pátria. Eles não são! Se algum deles se vê assim, está errado. A salvação nacional só é possível via ação política.

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