sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Seremos resgatados da distopia política?


Desde o dia 1º de janeiro de 2015, boa parte d@s cidadã@s brasileir@s já estava ciente de que a atual composição do Congresso Nacional é, de longe, a pior legislatura que o Brasil já elegeu. Não esperávamos grandes coisas de um parlamento liderado por Eduardo Cunha (Câmara Federal) e Renan Calheiros (Senado Federal).

Contudo, mesmo cientes de que a 55ª legislatura brasileira havia reunido uma plêiade respeitável de canalhas, ainda nos iludíamos com a ideia de que havia ali algum lampejo de civilidade e responsabilidade política. Mantínhamos a crença de que os partidos eram sim diferentes (tanto em termos ideológicos quanto éticos).

Por convicção política e por uma relutante utopia, rechaçávamos veementemente a possibilidade de embarcar na onda do “é tudo farinha do mesmo saco”. Recusávamos admitir que a classe política não passa de uma mistura homogênea de resíduos sociais.

De repente, nossas esperanças e utopias feneceram. Em agonia, sentimos morrer os últimos suspiros de confiança que tínhamos na política e na classe política.

Em 2016, nós, @s eleitor@s esperançosos, tivemos que encarar um calvário de desilusões. Diante de tanto flagelo, não conseguimos prolongar nossa via crucis. Chegamos ao limite. Aquela corja de escroques que dá expediente (esporádico) no Congresso Nacional roubou nossas últimas gotas de esperanças. Agora, não conseguimos acreditar em mais nada. As evidências de canalhice corporativa mataram nossas utopias.

Neste ano de 2016, o Congresso Nacional nos expôs incessantemente ao horror. Aquela encenação apavorante do dia 17 de abril de 2016, que abriu as portas para o golpe, nos mostrou o quanto as vísceras do nosso parlamento são feias e fedorentas.

O ano prosseguiu e os sucessivos flagelos continuaram.

Agora, quase no fechamento do ano de 2016, fomos finalmente levados ao abate. Relutamos muito. Mas não deu. O escárnio venceu a utopia. A canalhice dos parlamentares espezinhou todas as nossas esperanças, das mais fortes às mais frágeis.

Ingenuamente, mantínhamos viva a crença (só por fé isso permanecia possível!) de que partidos como PP (um dos sucedâneos da Arena) e o PCdoB são diferentes. A última votação na câmara (que aprovou o texto-base do projeto de lei que incorpora o suposto pacote de medidas “anticorrupção”) escancarou o óbvio. “Todos são farinha do mesmo saco”.

Esse ano serviu para destroçar o conceito de democracia representativa. Num show midiático incessante, fomos levados a visitar diariamente nossa maior casa legislativa, a suposta casa do povo. Não gostamos do que vimos.

Não tivemos mais força para sustentar a fé política. Não conseguimos manter a crença no Congresso Nacional como a casa do povo, como uma casa legislativa que teria sua razão de ser e de agir centrada nos interesses públicos. 

Vimos que o Congresso Nacional é, na verdade, uma casa legislativa privativa, um clube de negócios de 594 (513 deputad@s e 81 senadores) aproveitador@s da pior estirpe, um bando de canalhas que submete o Estado aos próprios caprichos.

Realmente o ano de 2016 foi medonho, muito além do que poderíamos suportar. Resta-nos, neste último mês de um ano que insiste em não acabar, remoer a morte de nossas utopias e lamber nossas feridas.

O que virá depois? Seremos resgatados desse mundo distópico? Voltaremos a ter fé na política? Voltaremos a acreditar no Congresso Nacional? Voltaremos a ver aquela instituição como a casa do povo? Voltaremos a crer que há diferença entre os partidos? Voltaremos a ter utopias?

Não sei! São tantas perguntas...

Só a história poderá dizer como sairemos desse período de trevas (se é que sairemos!).

Nenhum comentário:

Postar um comentário