quinta-feira, 21 de abril de 2016

Alfabetização política já!


Esse momento de crise na política brasileira não tem apenas um lado ruim. Existe um lado bom. Temos, finalmente, a oportunidade de sair da idade das trevas em termos de consciência política.

Hoje em dia as pessoas estão politicamente inflamadas, com desejo de dar opinião, de participar do processo. E isso é maravilhoso. Traz esperança.

Esse ímpeto de engajamento abre uma excelente oportunidade para, finalmente, começarmos a realizar nossa tão necessária alfabetização política.

Com esse desejo de participação em alta, podemos mostrar como funciona certos aspectos do nosso ordenamento político que, em geral, são completamente ignorados pel@s eleitor@s.

Por exemplo, são pouc@s @s eleitor@s que levam a sério o partido na hora de votar para cargos no legislativo. Está aí um dos nossos primeiros erros. E isso acontece, em grande parte, porque desconhecemos o papel que os partidos têm no processo político.

Atualmente, temos registrado no TSE nada menos do que 35 partidos, a maioria dos quais sem representatividade, sem base social e (o que é mais grave) sem qualquer identificação ideológica.

No dia 17 de abril, nós, povo brasileiro, tivemos o desprazer de ver nossa imagem espelhada na Câmara Federal. Todo brasileiro minimamente educado sentiu muita vergonha do que viu. A maior parte d@s noss@s deputad@s é uma infâmia, uma abjeção.

Temos um número enorme de deputad@s ligado a partidos fisiológicos, isto é, sem lastro social, sem consistência ideológica e abertos a apoiar a força política que oferece mais vantagem.

Precisamos urgentemente compreender o modo como @s polític@s se relacionam com os partidos. Penso que esse é o caminho mais interessante para começarmos a mudar esse quadro de vergonha.

Não podemos votar em candidat@s de partidos fisiológicos. Esses polític@s, quando eleit@s, se vendem para a força política (governo, oposição, bancada tal, bancada tal etc.) mais conveniente, mais rentável pra el@, tanto do ponto de vista eleitoral quanto do ponto de vista econômico. Um@ polític@ com esse perfil partidário dificilmente atua em defesa dos interesses de seus/suas eleitor@s.

Bom, levando esse raciocínio a diante, chegamos à seguinte constatação: votar em candidat@s de qualquer um dos partidos listados a seguir não é, em hipótese alguma, uma boa ação para o Brasil:

PMB (35)
PMDB (15)
PTB (14)
PTC (36)
PSC (20)
PMN (33) 
PRP (44)
PRTB (28)
PHS (31)
PP (11)
PR (22)
PSD (55)
PSDC (27)
PTN (19)
PSL (17)
PRB (10)
PPL (54)
PROS (90)
SD (77)

Digo isso porque esses partidos, em geral, não têm base social, nem bandeira ideológica. São meras legendas de aluguel. Seus parlamentares são, na grande maioria, vendáveis.

O PMDB, PTB e PP, embora sejam partidos com razoável quantidade de parlamentares no congresso, têm um logo e infame histórico de governismo, isto é, sempre fazem parte da base aliada do governo vigente, independentemente do espectro ideológico do partido que esteja governando.

Comecemos urgentemente nosso processo de alfabetização política.

Neste ano de eleições municipais, temos uma ótima oportunidade de começar a mudar a cara das nossas casas legislativas.

Nas próximas eleições, quando algum candidat@ a vereador@ vier lhe pedir voto, sugiro que você faça as seguintes perguntas:

a) Desde quando @ senhor@ está neste partido?
b) Por que @ senhor@ está neste partido?
b) Por que @ senhor@ mudou de partido novamente? (Caso @ candidat@ tenha mudando de partido da última eleição para cá).
c) Caso ganhe, @ senhor@ fará parte de qual força política (governo, oposição, bancada tal)?

Preste bem a atenção nas respostas que @ canditad@ dará. Aposto que el@ vai ficar desconcertado.

Vamos lutar por um Brasil diferente. Entendamos que a relação que um político tem com o sistema partidário é, talvez, a maneira fácil de conhecer seu caráter.

Reflita comigo.

Uma pessoa que muda de partido a cada eleição não tem outra razão para fazer isso a não ser encontrar um caminho mais fácil para chegar ao poder. Essa pessoa é confiável?

Uma pessoa que está num partido que não tem qualquer base social e/ou identificação ideológica tem exatamente a mesma cara do partido. Essa pessoa é confiável?

Comecemos já nossa longa e necessária jornada de alfabetização política.