sexta-feira, 11 de março de 2016

15 de março de 2015 renasce


Há um ano escrevi o texto “Sou contra corrupção (E alguém é a favor, por acaso?)”. De lá para cá as coisas só pioraram. Vejamos:

a) O governo Dilma se perdeu ainda mais. Tenho a impressão de que a única agenda política de Dilma hoje é reunir condições e forças para durar no cargo pelo menos mais um dia.

b) O PT se recusa a voltar para a sua base histórica: os movimentos sociais e o povo. Lambuzado e seduzido pelo dinheiro das grandes empreiteiras e dos grandes capitalistas, não consegue enxergar que não existe conciliação de classe. Existe apenas concessão temporária.

b) A promiscuidade dos partidos, interessados quase exclusivamente em aumentar o poder de barganha, está mais acentuada e descarada.

c) O Congresso continua sem fazer nada. Apenas cumpre, desastradamente, tarefas protocolares. Na verdade, a maior parte daquela gente só pensa em si, nos seus projetos de poder. Não há qualquer sinal de que alguém ali esteja preocupado com o Brasil, que queira apresentar algum projeto efetivo para transformação de nossa sociedade.

d) A oposição aprofundou, e muito, sua estupidez, irresponsabilidade e desfaçatez. Continua ressentida, sem projeto político e desesperada para retomar, a qualquer custo, o poder e o governo. Do jeito que a coisa está indo, se essa gente, que tem pouco respeito pela ordem democrática, não conseguir seu objetivo rapidamente, os cartazes dos analfabetos políticos pedindo intervenção militar deixa de ser alucinação e piada para virar projeto.

e) A Mídia Golpista - liderada por Globo, Veja, Estadão e Folha – continua sendo o maior partido do Brasil, embora não tenha registro no TSE e nem apresente explicitamente seus candidatos. Esse partido, em consórcio espúrio com os principais partidos das elites - DEM, PMDB, PSDB - continua dando as cartas. Oportunista como é, tem se aproveitado, como sempre fez, da insatisfação geral da população com governos minimamente populares para colocar a “Corrupção” como pauta única das mobilizações sociais. Ora, uma leitura elementar de momentos críticos da nossa história política é suficiente para mostrar o quanto instituições, partidos e políticos corruptos utilizaram, com sucesso, a pauta “corrupção” para inflamar a população e, com isso, retomar o poder e o governo. A pauta “Corrupção” é tão pragmática que chegamos, hoje, ao descalabro de ninguém achar estranho a presença dos senadores Agripino Maia e Aécio Neves em manifestação anticorrupção. A massa despolitizada acha, de verdade, que está contribuindo para construção de um país melhor. Enquanto isso os pauteiros de plantão (Mídia Golpista e Oposição), zombando da ingenuidade dos aliciados, fazem reuniões para os planejar os próximos passos para a retomada do poder e do governo.

Enfim, um ano depois, aquele 15 de março de 2015 volta para nos assombrar. E agora renasce como um monstro muito mais forte, ensandecido e estúpido.

Em tempo: para quem tem dificuldade de leitura, preciso deixar claro que não estou dizendo que “Corrupção” não é uma pauta importante para as mobilizações sociais. Não é isso que estou dizendo. O que estou tentando explicar, com muito esforço, é que o caminho mais fácil para se manipular e se aproveitar de uma massa despolitizada é arrastá-la para manifestações anticorrupção. Uma vez que se consegue colonizar e manejar a indignação dessa gente, pode-se extrair dela apoio para derrubar qualquer governo, havendo razões plausíveis ou não para isso. Os cartazes pedindo “Intervenção Militar Já!” são um prova inequívoca do que estou dizendo.

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