quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Quanto vale um voto?


Numa democracia, um voto vale um voto e nada mais que isso. Não há absolutamente nada que agregue valor a um voto individual ou a um conjunto de votos. Nenhum fator (geográfico, econômico, social, cultural, político, ideológico, étnico etc.) confere qualificação ao voto.

Voto de petralha vale um voto; voto de coxinha vale um voto. Na verdade, ao ser computado, o voto lança fora a história e as feições ideológicas do eleitor, tornando-se um número na multidão dos números. Embora isso seja uma obviedade quase infantil, ainda temos certa dificuldade de aceitar que o voto do outro seja tão legítimo quanto o nosso. E eleitores que acumulam algum tipo de poder simbólico – por exemplo, econômico, geográfico ou cultural – têm ainda mais dificuldade de lidar com essa obviedade.

Quem realmente reverencia a democracia respeita e exige respeito pela isonomia do voto. Quem realmente entende o que significa viver num país democrático jamais aceita qualquer tipo de desqualificação do voto alheio.

Numa democracia, não existe voto nordestino ou voto paulista. Existe o voto brasileiro simplesmente, sem nenhuma roupagem geográfica.

Quem considera o próprio voto superior, por qualquer razão que seja, precisa urgentemente de educação política.

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