quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Não quero plantar ódio


Noss@s filh@s tendem a seguir nossos posicionamentos ideológicos; tendem a se identificar com @s candidat@s n@s quais votamos. Acho isso legal. Fico feliz em ver minha filha dizer que vota (mesmo não votando) n@ candidat@ em quem voto. Isso me diz que estou conseguindo passar a ela certos valores sociais e políticos que são importantes para mim. Considero o voto uma ação de cidadania e, em muitos casos, de justiça social. Ver que ela se identifica com minhas escolhas é muito gratificante.

Mas nossa capacidade de influenciar noss@s filh@s não está cercada apenas de coisas boas.  Nossa força de influência (política, ideológica, ética, religiosa etc.) pode dar abrigo a um monstro devastador, o ódio.

As eleições deste ano já superam as de 1989 na propagação do ódio. Eu era criança quando Lula enfrentou Collor. Me lembro vagamente do quanto a campanha de Collor foi efetiva na propagação de ódio e de fobia ao suposto comunismo do PT. Mas imagino que aquela disputa perde feio para a campanha de ódio mútuo que está em curso no momento.

A coisa está tão séria que a formação política de nossas crianças está descambando para o cultivo do ódio. Uma coisa é uma criança se identificar afetivamente com @ candidat@ d@ pai/mãe, outra coisa, bem diferente, é uma criança desenvolver ódio a algum@ candidat@ adversário. Infelizmente, tenho visto pais/mães mostrando nas redes sociais, como uma espécie de troféu, @s filh@s vociferando ódio e fobia a algum@ candidat@. Fico triste.

Cultivar o ódio é algo abjeto e irreversível. Plantar no coração de uma criança a semente do ódio por alguém é, para mim, algo irracional e execrável. Creio que muit@s pais/mães fazem isso sem refletir, sem pensar nas consequências e implicações dessa atitude na formação ética d@ filh@. E a coisa fica muito pior quando @ pai/mãe, que está gestando o ódio n@ filh@, se identifica como cristão. É  uma desfaçatez descomunal.

Quero muito que minhas filhas se identifiquem com as minhas posições ideológicas e com @s candidat@s n@s quais voto, mas vou lutar muito para que os meus ódios (eu tenho, você tem, todo mundo tem... "só a bailarina que não tem") jamais sejam transmitidos a elas. Sei que não vou conseguir eliminar a transferência de todos, mas vou lutar. Quero influenciá-las por meio da afirmação e do afeto positivo. Eu não quero ser um plantador de ódio.

P.S. Não precisa jogar na minha cara que minhas postagens, às vezes, desferem rajadas de ódio, especialmente contra um segmento da classe média brasileira, como a que está presente no texto "Como pensa um sujeito típico da classe média". Eu sei. Faço isso por não suportar ver as manifestações de ódio dessa gente contra as minorias (étnicas, religiosas, sexuais etc.) e contra os pobres. Não precisa me dizer que, ao fazer isso, acabo me enroscando numa tremenda contradição. Tenho consciência disso. Usar ódio no combate ao ódio não é só uma contradição filosófica; é um erro ético elementar. Não me orgulho do que eu faço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário