sábado, 17 de agosto de 2013

O sangue é mais visível em luvas brancas


O sangue é mais visível em luvas brancas, diz o ditado. Temos aqui um alerta importante: a ostentação de pureza e justiça deve ser vista sempre com muita suspeita cautela. A ausência de manchas pode ser apenas o resultado de um método refinado de proteger as luvas enquanto se faz sangrar, para depois se exibi-las limpas, como prova de santidade.

A autopromoção moral foi acidamente denunciada por Jesus, quando chamou os fariseus de sepulcros caiados. Jesus os comparou a túmulos cuidadosamente pintados de branco por fora, mas carregados de restos apodrecidos por dentro. Jesus via com clareza o ilusionismo moral que os fariseus praticavam para manter o status quo de grupo religioso mais zeloso e mais devoto.

A religião é uma das instituições socioculturais mais propícias para o cultivo da autopromoção moral. O problema se agrava ainda mais quando a religião se fragmenta em seitas. Nestas, a moralidade geralmente constitui um instrumento importante de apadrinhamento, de punição e de exclusão.

Como ninguém que se sente parte de uma seita (ou se beneficia dela) quer sofrer sansões ou ser excluído – mesmo quando não consegue atender suas exigências morais mínimas – o jeito é encontrar um meio de fabricar e ostentar retidão. E quanto mais, melhor. Aqueles que têm mais poder e recursos para promover a própria moralidade costumam jamais ser questionados. Com isso, se sentem protegidos para prevaricar à vontade.

Moral da história: pessoas que enfatizam a própria retidão costumam esconder algo muito grave nos porões da alma, especialmente aquelas que acumulam poder.

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