domingo, 20 de janeiro de 2013

Por uma fé não intimista



“[35] ‘Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; [36] necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’” [Mateus 25.35-36].


Dizem os pregadores:

“Seja íntimo de Deus; seja amigo de Deus; converse com Deus diariamente. Fazendo isso você verá o quanto sua vida espiritual vai mudar. Quando oramos, quando falamos intima e secretamente com Deus, nos tornamos amigos dEle. Deus é amigo daqueles que o buscam com fervor”.

Não gosto desse apelo a uma fé intimista, que busca a intimidade com Deus por meio da oração e da piedade em si mesmas. Esse tipo de fé costuma se degenerar facilmente numa piedade individualista, completamente cega ao que afeta a vida do outro e ao que afeta o mundo social como um todo.

Para mim, a fé mais profunda que existe não é a fé que traz Deus para dentro de mim, mas a fé que me leva para fora de mim mesmo, em direção ao outro. A pessoa mais íntima de Deus não é a que o adora na individualidade intimista, mas a que o serve quando ele [Deus encarnado na vida do oprimido] pede água, comida, dignidade, respeito a direitos humanos fundamentais etc.

Alguns dizem, com certa razão, que sigo uma teologia cheia de princípios pós-modernos. Nesse caso específico, não sou nem um pouco pós-moderno. Quer algo mais pós-modernista do que viver uma fé individualizada e intimista, centrada no eu e em suas necessidades?

O apelo de fé que faço é: seja íntimo de Deus. Esteja disposto a sair de si para se encontrar com outro, que está bem perto de você lhe pedindo que seus direitos a uma remuneração justa, à diversidade cultural, à alimentação, ao afeto etc. etc. etc. sejam garantidos. Penso que só nos tornamos amigos íntimos de Deus, quando nos ancoramos numa fé que nos impele para fora, para a realidade, para o espaço no qual o fraco está sendo explorado.

4 comentários:

  1. Para descrever a fé, Cristo usou a metáfora de uma fonte de água no interior do crente. Água que não flui apodrece, adoece a fonte. Somente se dando ao outro, permitindo que a vida cristã escorra de si para o outro, é que se vive a vida abundante (ele é a vida) proposta por ele.

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  2. Com todo respeito, voce precisa aprender o que é ter comunhao com Deus. Nunca vi alguém serio espiritualmente falar tanta bobagem sobre oracao. Dizer que orar nos leva a uma vida intimista para dentro de nós, como se orar nos levasse a sermos egoista sem perceber a realidade ao nosso redor, foi extramamente infeliz da sua parte. Acho que vc não entente que quanto mais conhecemos a Deus em oracao, mais o seu espírito agirá em nós nos levando em direcão ao outro. Entenda uma coisa: quanto somos íntimos de Deus, o que se derrama em nosso coracao é o amor Dele, e o seu amor nāo é egoísta. Se vc não trouxer a fé para dentro de vc, não conseguirá realmente transmiti-la a ninguem. A fé cristā parte da experiencia pessoal primeiramente. Se vc não ora (como suas palavras levam a crer), voce não sabe o que é chorar diante de Deus pelas vidas (o outro, a que vc se refere), intercedendo por elas, indo em direcao a elas; nunca se chegou diante de Deus sentido o peso de sua propria condição de pecador; nunca sentiu a chama do Espírito aquecer teu coração. Lamento profundamente tua visão sobre oração, não só tua visão, mas tua falta de experiência com este Deus vivo. Que a paz excede todo entendimento guarde o teu coração.

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  3. Sou Pastor, formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, com pós graduação em economia e Master in Divinity pelo Fuller Theological Seminary (escrevo isso só para que você saiba que não sou um ignorante), e não pude deixar de ficar estarrecido com sua visão sobre o que é oração. Dizer que oração acaba por "degenerar facilmente numa piedade individualista" ou dizer que orar gera "fé individualizada e intimista, centrada no eu e em suas necessidades" são palavras vazias de quem não tem experiência do que é entrar num lugar secreto e ter comunhão com Deus, além do que mostram seu completo desconhecimento das palavras e da vida de Jesus como homem que orava. Se você não ora (como é possível concluir de suas palavras), não sabe o que é interceder por vidas ("o outro" a que vc se refere); não sabe que é chorar diante de Deus pelo constatação da condição de pecador; não sabe o que é ter o coração inundado pela presença de Deus e o seu amor quando você ora pelo "outro", e esse amor não é egoísta, pelo contrário. Meu caro, cristianismo é sobretudo experiência pessoal antes de se tornar social. Para fazer a vida correr de si para outro você precisa ter em si mesmo essa vida. A oração é o melhor meio de você fazer sua fé ficar viva. Mostre-me um único homem de Deus que foi grande no reino de Deus e fez grandes coisas para Deus (e consequentemente para "o outro" ) que não tenha tido uma vida de oração? me mostre só um.

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  4. Olá, meu amigo.
    Como sempre suas reflexões alcançam os objetivos, pelo menos causam contestações.
    Agora, mexer na oração. É como chutar a santa no dia 12 de outubro.
    Essa foi forte. Admiro sua intrepidez.
    Esqueci... Será que tenho de colocar meu currículo para responder neste post?

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