terça-feira, 5 de junho de 2012

A ressurreição do sol


O sol se despede e, lentamente,
Começa a se apagar no horizonte.
Primeiro se esconde atrás das montanhas.
Depois, não tendo mais como se manter escondido,
Resolve ir embora de vez.
Deixa rastros avermelhados no céu,
Anunciando que acabou de partir.
Logo os rastros também de apagam.
O sol resignado se vai, sabendo-se momentaneamente derrotado.

A noite esmaga o sol.
Já não há mais quem o veja.
O grande fogo não resiste, 
Fica frio, perde a vermelhidão, se apaga,  fica preto.
Permanece apenas a memória do sol.

Mas a morte não dura pra sempre.
Há ressurreição.

O sol conhece os movimentos da gangorra.
No crepúsculo ele desce, perde.
Na alvorada ele sobe, ganha.
Sol e escuridão vivem a duelar numa gangorra sem fim.

Também o sol conhece a memória.
Ele sabe que a noite jamais pode matá-lo.
O sol sabe que, mesmo quando tem que ir, não vai por completo.
Ele entra sorrateiramente na memória das pessoas e permanece por lá,
ora nos recantos, ora nos quartos, ora nas salas da lembrança.
À noite, o sol pode voltar fulgurante,
Quando uma lembrança lhe reclama a presença.

O sol também conhece os sonhos.
Ele sabe que os sonhos da noite são penetráveis.
Lá ele pode refulgir, lá não há escuridão que lhe passe rasteira.

O sol adormece ao anoitecer
E acorda revigorado quando a aurora rompe por trás dos morros.
O sol encurta a noite, a treva, a dor.

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