domingo, 3 de junho de 2012

Escrever complicado é um vício



“Palavra escrita com paletó e gravata não serve para literatura [nem para qualquer outra coisa realmente útil]. Manoel de Barros, poeta matogrossense, tinha horror de palavras solenes: 'Pra limpar as palavras de solenidade eu uso bosta...'. Língua solene é coisa de políticos e advogados. É preciso ir ao encriançamento das palavras, palavras-brinquedo, palavras bolhas-de-sabão...” [Rubem Alves].


Um texto pode ser difícil de ser compreendido por duas razões: profundidade e tolice.

A profundidade ocorre quando o texto aborda um conteúdo complexo, que foge ao conhecimento do leitor comum.

A tolice ocorre quando o autor do texto é metido a (falso) erudito. O coitado acha que colocar palavras difíceis ou usar uma sintaxe rococó (cheia de curvas e enfeites de mau gosto) torna o texto melhor.

Que fique bem claro: não é bonito usar vocabulário complicado e/ou sintaxe à moda do hino nacional. Isso torna o texto uma lástima. Só quem não sabe escrever usa esse tipo de recurso. Escrever complicado é um vício, não uma virtude de estilo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário