domingo, 29 de abril de 2012

De onde copio os textos que publico em meu nome?


Uma pessoa me mandou uma mensagem assim: “Você escreve mensagens muito bonitas de onde tira elas?”  [sic]. Pois bem, vou dizer de onde tiro as mensagens, frases e textos que escrevo. Vou me denunciar. Vou anunciar publicamente a fonte de onde copio tudo que publico em meu nome. Estou com medo da repercussão (positiva e/ou negativa) que isso pode causar, mas não vou deixar essa oportunidade passar.


Eis a revelação: copio tudo o que escrevo de um livro enorme, mas minúsculo se comparado a outros que são realmente grandes.  Esse livro tem textos de muitos autores, mas a quantidade de nomes aí presentes ainda é pequena se comparada a outros livros realmente bons. Nesse livro também há uma infinidade de assuntos e temas, mas meu livro fonte chega a ser monótono se for comparado à ambivalência, diversidade e extensão temática de outros livros realmente profundos.

O livro de onde copio os meus textos é, ao mesmo tempo, grande e pequeno, diversificado e monótono, profundo e superficial. Tudo depende do padrão de comparação. Para mim, o meu livro fonte será sempre pequeno, monótono e superficial.

Não vou dizer qual é o título desse livro. Prefiro falar um pouco sobre ele. Não sei dizer quantas páginas ele tem, mas sei que não dá pra lê-lo num único dia, nem num único mês. Para falar a verdade, a extensão desse livro não é medida em páginas, mas em dias, meses e anos. Seu suporte é o tempo, não o espaço. Então, o melhor seria perguntar: qual é sua extensão temporal? De quantos dias, meses e anos ele é composto? Não sei dizer com precisão, mas vou arriscar esboçar aqui sua estrutura. O livro ainda não está pronto, é claro. Mas já tem uma organização – capítulos, seções e páginas – mais ou menos desenhada.

Meu livro fonte, que ainda está sem título, compõe-se de 29,5 seções distribuídas ao longo de 7 capítulos, totalizando aproximadamente 10767 páginas. Vou explicar melhor cada um desses elementos. Os capítulos são as fases escolares. As seções são os anos investidos para cumprir cada fase escolar. E as páginas são os dias que empenhei para ter em minhas mãos a atual versão do livro. Sua estrutura interna tem a seguinte configuração:

Capítulo 1: Ensino Fundamental, com 9 seções e aproximadamente 3285 páginas.
Capítulo 2: Ensino Médio, com 3 seções e aproximadamente 1095 páginas.
Capítulo 3: Graduação em Teologia, com 5 seções e aproximadamente 1825 páginas.
Capítulo 4: Graduação em Letras, com 4 seções e aproximadamente 1460 páginas.
Capítulo 5: Especialização em Docência Universitária, com 2 seções e aproximadamente 730 páginas.
Capítulo 6: Mestrado em Linguística, com 2,5 seções e aproximadamente 912 páginas.
Capítulo 7: Doutorado em Linguística, com 4 seções e aproximadamente 1460 páginas, até o momento.

Sou estudante desde que eu tinha 5 anos. Já são 27 anos estudando sem parar. Jamais fiquei um ano sem estar regularmente matriculado numa instituição escolar. O livro de onde copio o que escrevo é o livro da minha vida. Como disse, esse livro não é tão bom quanto outros, mas foi o melhor que eu consegui escrever. Não estou satisfeito com ele. Acho que nunca vou estar.

Não sei exatamente o que está escrito em cada capítulo, seção e página desse livro, mas posso assegurar que tudo que publico em meu nome foi copiado daí. Por exemplo, não sei dizer com precisão de qual página copiei o artigo A escola se tornou um lugar hostil”, publicado recentemente no meu blog www.sosteneslima.com. Mas certamente foi copiado dessa fonte, que até agora era secreta.

Livros de outras pessoas estão presentes no meu livro. Quando tomo emprestado algum fragmento textual de outros autores, faço questão de deixar marcada a proveniência.  E como faço essa marcação? Simples: coloco aspas e cito o nome do autor do livro de onde tirei o fragmento. Algo que todos nós devemos fazer. O simples ato de colocar aspas e indicar fonte mostra o quanto temos respeito pela propriedade intelectual dos outros. Portanto, qualquer texto ou fragmento textual (sem aspas e sem indicação de fonte) publicado em meu nome provém do livro da minha história. É dele que copio, sem constrangimento, tudo que escrevo.

3 comentários:

  1. É difícil ser honesto quando pequenas apropriações indevidas são toleráveis e até estimuladas. Dai a comprovação de que só o conhecimento pode libertar uma pessoa do mundo das sombras e apresentar a ela um deslumbrante mundo de possibilidades: melhor continuar sentado no fundo de uma caverna se contentando com as projeções. Seus textos são excelentes, pena que nem todos podem entender a profundidade deles e o quanto nos comprometem. A minha ignorância diante de seus textos não me dá o direito de pensar que não são seus, mas me obriga a aceitar seu esforço e sua dedicação, "o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano" (Isac Newton). Parabéns!

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  2. Professor... Por essas e outras que te admirei durante a graduação e continuo admirando... Sua autenticidade e sabedoria são marcantes e tenho muito orgulho de dizer que pude "beber da fonte" desse livro durante alguns bons anos... E em você me espelho para ter ao menos um lugar ao sol entre os intelectuais... grande abraço e Parabéns!!!

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  3. Que texto! Não sou de muitas palavras ... sou apenas uma admiradora de textos bem escritos.
    Que cada capítulo que falta escrever continue com palavras bem escritas.

    De onde você "tirou" a resposta? ... está perfeita.
    PARABÉNS!

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