sábado, 3 de março de 2012

Belém - A cidade do céu molhado

As nuvens percorrem os céus.
Quando estão fartas rumam pra Belém;
É hora de fazer nascer a chuva das duas.
De repente o céu da cidade fica pardo.
Um vento, ora suave, ora impetuoso, traz
Respingos que anunciam a chegada
De uma cascata que se dispersa por toda a abóboda da cidade
Para que ninguém fique de fora.

A chuva chega e torna a cidade plúmbea.
Filetes de água prateados escorrem céu abaixo,
Fazendo os barulhos da cidade silenciar.
Ouvem-se apenas o bramido e o estalo pujante dos pingos
Se encontrando com as coisas dos homens e da cidade.
A chuva estende as mãos à cidade e beija-a,
Fazendo juras de amor eterno
E selando uma aliança de retorno diário, às duas da tarde.

A chuva compõe a subjetividade da cidade;
Está ancorada em sua estrutura fundante.
A chuva está vividamente presente na cidade.
Por isso as pessoas não se incomodam com ela;
Caminham nela sem medo do molhado.
Muitos resistem ao uso do guarda-chuva para não
Perder a textura e o sabor dos pingos a rolar pela face até os lábios.
 A chuva faz pessoas se encontrarem, se tocarem e se abraçarem.
Há encontros de vida que só são possíveis por causa dela.

O belemense está integrado com a chuva.
Quando ele está dentro de casa,
Não resiste ao impulso de estender a mão pela janela
Para colher seu toque suave, a deslizar sobre a pele.
Em Belém chuva não é defeito;
É antes um efeito e um enfeite de sentido que compõem uma tela estupenda
Graciosamente pintada por Deus e pelos homens.
Viva a chuva de Belém.

2 comentários:

  1. Oi Sóstenes.
    Te enviei um email mas ele voltou.
    Gostaria de conhecer o texto que vc fez inspirado no meu texto sobre blogs.

    Abraço, obrigada pela visita

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  2. Que lindo poema professor.Para mim os bons poetas (sem pretensão da crítica) são aqueles que conseguem extrair, seja da coisa mais simples do mundo ou da mais complexa, a sua essência, e que com palavras eloquentes ou não coloca dentro do leitor/apreciador a mesma emoção sentida.
    Esse blog mostrou um lado seu que, confesso, nunca imaginamos(eu e meus colegas de turma)existir.Se eles visitarem/visitam esse blog, devem estar com a mesma sensação que estou, ou algo bem parecido. Como as pessoas são surpreendentes. E nesse caso, que surpresa maravilhosa: um poeta, melhor, um teopoeta. Abraço

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