quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Por que “Experimentações em theoepisteme – theopraxis – theopoiesis”?


Neste blog busco refletir sobre questões que afetam a minha experiência de fé cristã. Divido as reflexões em três categorias: theoepisteme, theopraxis e theopoesis. Penso que nossa busca por transcendência está relacionada a três dimensões da vida: o saber, a prática e a estética. Cada uma dessas dimensões é remexida em uma das categorias de reflexão. A theoepisteme resulta de uma tentativa de reflexão sobre nossa busca, sempre provisória e inacabada, pelo que pode ser conhecido, sabido, pensado sobre o fundamento e a transcendência da vida. A theopraxis constitui uma reflexão sobre o fundamento ulterior de nossa dimensão social, política, ética. A vida está sempre imersa num mundo de desafios práticos; precisamos fundamentar nossa "presença-ação" (ou simplesmente o “estar aí” de Heidegger) numa realidade que vai além das exigências e transformações sócio-histórico-materiais. Precisamos pensar sobre quais fundamentos transcendentes estão na base das respostas que damos às vindicações da práxis cotidiana. A theopoiesis é uma tentativa de voltar, por meio da estética da palavra, a um universo mágico, em que os poderes das instituições humanas são superados pela aventura da criação verbal. Somos continuamente instados a construir uma mimesis do real para podermos suportá-lo, superá-lo, ressignificá-lo; do contrário somos engolidos pela realidade, tornando nossa existência exclusivamente numa saga neurótica e fracassada de realizações notáveis e responsáveis. Carecemos da magia que se faz com palavras; uma magia capaz de fazer a contemplação insurgir. A teopoética nos liberta da tirania do que se julga sério, grandioso, perfeito, pragmático, responsável etc. Só mesmo uma subversão pode trazer à tona o gosto pelo belo e pelo radicalmente simples, mesmo quando estamos submetidos a uma vida de busca por sofisticação material e simbólica.

Sostenes Lima
@Limasostenes

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