segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A oração é um ato político


“A oração é ato político, energia social, bem público. Ela molda a vida da nação muito mais do que a legislação. O fato de não termos sido  ainda dominados pela anarquia deve-se muito mais à oração do que à polícia. É um ato permanente e intricado de patriotismo no sentido mais amplo da palavra -  muito mais preciso, amorosa e protetor do que qualquer patriotismo declarado em slogans. A possibilidade de viver na sociedade e o renascimento da esperança se devem à oração e não à prosperidade empresarial ou ao florescimento das artes. O ato mais importante para despertar toda saúde e força que há em nossa terra é a oração”.


[Eugene Peterson. Onde está o seu tesouro. Niterói: Textus, 2005]

Resta saber que tipo de oração é um ato político. Certamente não é a oração congregacional e alienante que tanto vemos em algumas igrejas evangélicas e nas neopentecostais. Aqueles recitais de magias disfarçadas de oração são muito mais uma forma de escoamento de neuroses e artefatos discursivos que garantem fidelização de uma clientela religiosa. A oração como ato político não é ensimesmada, não busca prioritariamente o bem-estar individual, não comunga com os valores de uma sociedade de consumo. A oração como um ato político é o sermão do monte efervescendo na alma. Recortes de promessas triunfalistas, contidas em alguma parte da bíblia e repetidas como mantras, não podem ser de forma alguma um ato político. Essas pseudo-orações não passam de fórmulas mágicas, que apenas potencializam o desejo individual de sucesso e poder, sem qualquer ressonância nos aspectos ético-políticos da vida social.





Um comentário:

  1. acho que foi o melhor texto que já li sobre o assunto. Defendeu muito bem o ponto de vista e faz todo sentido. Muito bom MESMO!

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