quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A oração como expressão estética


“Chegamos agora a algumas orações que podem ser vistas como um apelo dramático por sensibilidade. Nessas orações, os estudantes pedem para estar em contato com o que é real, para experimentar em profundidade o mundo que nos cerca e para sentir-se ligados às fontes vitais da vida. Procuram uma unidade e uma libertação da dolorosa sensação de alienação. Querem tocar, provar, cheirar, ouvir e ver o que está além de sua própria solidão e render-se à inefável beleza do divino. São orações para o Deus belo, belo de uma maneira extática, transformando Deus em uma experiência corpórea. A alienação a partir da qual essas orações nascem é expressa de forma dramática pelo estudante que escreve:

Sozinho dentro da classe
Sozinho com meus amigos
Sozinho numa multidão insistente
Onde procurar abrigo nessa concha tão envolvente?
O mundo é sem vida – não mais um amigo
As folhas viscosas das árvores, as crianças;
Tudo parece – apenas irreal.
Elas estão lá fora. Eu estou separado delas”.

[Henry J. Nouwen. Intimidade: ensaios de psicologia pastoral. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004].

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